quinta-feira, 19 de março de 2015

Itabiras


Não há onde eu consiga pôr o prego.
Há o mundo hostil de traições e azar
me defrontando, sempre a debochar
deste músculo aflito, rubro e cego
de medo em meu peito, que desde a infância
preserva cenas, quadros e milhares
de retratos queridos e invulgares.
E agora velhos, qual loucos em ânsia,
eles buscam qualquer alvenaria
sólida que os permita repousar.
Mas ao que encostam torna-se fugaz:
instável como areia em ventania,
o concreto esfarinha de o tocar,
confirmando que eu nunca terei paz.

3 comentários:

Adalberto Queiroz disse...

Transcrito (com devido crédito) em Grupo Literatura GOYAZ, em https://www.facebook.com/groups/poesiafaladaemgoyaz/
Abraços,
Beto.
betoqueiroz.com

Gerana Damulakis disse...

João: que bom ter recebido um comentário seu. De vez em quando eu entro no seu blog e leio seus poemas (você sabe que sou sua fã), mas o tempo anda curto para curtir os blogs; no entanto, não esqueço de sua poesia.
Obrigada pelo comentário, adorei!
Receba um abraço.
Gerana

Gerana Damulakis disse...

João: veja meu livro lá no Leitora.
Tudo de bom.