quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nada à vista!


Há tempos atrás, como o marinheiro
que da gávea investiga o horizontal
mar, mergulhei no abismo vertical
de mim. Sonhava ser o meu tropeiro,
cruzando vales, charcos e florestas
do outrora. Não sabia do selvagem
infinito e do inútil da viagem,
e imaginava no retorno as festas
que, após a dor e a cura, rindo eu mesmo
me ofertaria, a cada descoberta.
Já agora, se viajo em mim é a esmo:
sou como o capitão que no alto-mar
sonha olhando as estrelas na coberta
- e desvia se alguma ilha avistar.

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