terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Poesia !


Torno a ti ! Não obtive outro socorro
nem do céu nem do inferno emudecidos
nem de heróis (e nem mesmo de bandidos)
para estancar da angústia o indócil jorro.
Venha ela do real ou meu delírio,
queria ver o sol brilhar não vendo
nele o brilho da lâmina descendo
em meu pescoço, impondo-me o martírio.
Os pesadelos tornam-me cansado,
e, acordado, não vivo os mil amores
que imagino, ao fugir dos meus pavores.
Aqui estou, mas trancado a cadeado,
longe do que me envolve de universo:
aflito; vivo e morto nestes versos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nada à vista!


Há tempos atrás, como o marinheiro
que da gávea investiga o horizontal
mar, mergulhei no abismo vertical
de mim. Sonhava ser o meu tropeiro,
cruzando vales, charcos e florestas
do outrora. Não sabia do selvagem
infinito e do inútil da viagem,
e imaginava no retorno as festas
que, após a dor e a cura, rindo eu mesmo
me ofertaria, a cada descoberta.
Já agora, se viajo em mim é a esmo:
sou como o capitão que no alto-mar
sonha olhando as estrelas na coberta
- e desvia se alguma ilha avistar.