quarta-feira, 4 de junho de 2014

Felino


                                     "O amor antigo vive de si mesmo"
                                                  (Drummond)


Felino? Sim. Porém, não mais o tigre;
busco seu corpo como o velho gato
busca na dona o acolhedor regaço.

Mas após instalado em suas coxas,
quer de novo a luxúria majestosa,
própria do rei leão. Mas como ser
leão se minha juba fez-se calva?

Mesmo assim, sobrevive, mais teimoso
que voraz, um desejo até cruel,
porque, embora me excite tanto, falho,  

às vezes, ao tentar a posse e o gozo.

Passado o caos, recordo as noites tórridas ...
e enquanto a dona dorme, eu ronco e fodo-a
numa cama de sonhos e memórias.



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