terça-feira, 1 de abril de 2014

A beleza


Não folheia à pirita ou ouro a vida,
a ruga, o feio, o verso ... nem recobre
com tintura o cimento para que ele
imite o rico mármore. A beleza,
se existe, brilha por ser nua, livre
e simples: olha a praia e o horizonte,
com mar e céu e luz se penetrando
entre nuvens e vento; aprende o encanto
do círculo imperfeito, uno e distinto
como pérola, num pingo de leite;
contempla nas mulheres as jazidas
do afago, e aceita o sério Tempo rindo
como a coluna grega faz: mostrando
o belo da ruína sem disfarces.

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