quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Sonetoide manuelino branco


Eu te amava quem não eras. E tu
me amavas quem eu não sou. Se entre encontros
e atravancos duramos anos, foi
porque nos deleitávamos com todos

os pecados e taras razoáveis
que ambos sonháramos arder no corpo.
Mas agora percebo que, antes já
de conhecer-te, eu sempre desejara
ser o homem que vias e me amavas,
embora eu não o fosse nem fingisse,
porque não sei ser diferente. E tu,

creio ainda nem sabes qual mulher
eu te amei na paixão. É, Manuel:
"corpos se entendem, mas as almas não".

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