segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Osso e carne, ou pedra


Sou de osso e carne, tendo em toda parte
paixão, desejo, medo, mágoa e sonho.
Se me comporto bem frente ao risonho
e o medonho, é devido ao zelo e à arte
de alguns sussurros e diversos brados.
Mas poderia ter nascido pedra;
um quedo mineral onde não medra
angústia, riso ou vincos do passado.
Nas horas boas, louvo meu destino
por ser humano e vivo, com direito
a gozar no intelecto, em mesa e leitos.
Já nas horas terríveis, me imagino
sendo pedra. Não que lhe almeje o "Nada",
mas porque invejo a fúria da pedrada.

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