domingo, 10 de novembro de 2013

O Amor após a Hora Injusta


Ela organiza as flores com o esmero
de quem pinta um jardim. E por talento
acende velas que o vigor do vento
não apaga. Depois, sem desespero,
mas em doce respeito, e mesmo graça,
junta as palmas das mãos, se curva e reza;
cochicha a prece então, terna e sem lesa.
E ao se benzer parece erguer a taça
de vinho que com Deus brindasse a um trato
garantindo favores a seus mortos.
E eu, que não acredito em outros portos
além da morte, assisto, vivo e grato,
sua ternura após minha Hora Injusta.
E a terra infértil já não mais me assusta.
 
 
 


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