sábado, 26 de outubro de 2013

Terceiro Concerto para Piano, de Béla Bartók (1881-1945)














Não é mais o piano percussivo
das obras radicais anteriores
(presságio de períodos explosivos),
é um concerto oco, sem cores e ardores;
triste som de um músico doente,
pobre, incompreendido e rejeitado.
Dorida concessão do intransigente
que sulcara o teclado com o arado
da invenção, colhendo áspera beleza.
Negou-se a ceder a arte à vilania,
e exilou-se convicto, mas sem glória.
Que de Béla Bartók ninguém esqueça:
fiel ao humanismo e à sua Hungria,
saiu da ousadia, não da História.

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