sábado, 26 de outubro de 2013

Terceiro Concerto para Piano, de Béla Bartók (1881-1945)














Não é mais o piano percussivo
das obras radicais anteriores
(presságio de períodos explosivos),
é um concerto oco, sem cores e ardores;
triste som de um músico doente,
pobre, incompreendido e rejeitado.
Dorida concessão do intransigente
que sulcara o teclado com o arado
da invenção, colhendo áspera beleza.
Negou-se a ceder a arte à vilania,
e exilou-se convicto, mas sem glória.
Que de Béla Bartók ninguém esqueça:
fiel ao humanismo e à sua Hungria,
saiu da ousadia, não da História.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Paul Verlaine au café François 1er, Paris, le 28 mai 1892", par Dornac

















Não provêm da velhice ou da imperícia
a baixa nitidez que estampa a foto.
A respeito de Paul, toda notícia
que chegou desse tempo já remoto
sempre confirma sua fé no absinto
como o amigo fiel e competente,
a guia-lo no escuro labirinto
dum desfecho infeliz, quase indigente.
As linhas embaçadas que aí vês
vêm de Dornac captar os traços vagos,
como Verlaine vê na embriaguez.
Nela, o poeta, após tomar uns tragos,
relembra os temporais nos mares dantes
navegados com seus versos e amantes.