quarta-feira, 24 de julho de 2013

Domingo


É teu coração quem comanda a chuva e o sol.
É dele o maquinário que fabrica
o mais bonito ou terrível domingo.

E hoje o dia tornou-te um aquário 
a vazar desespero 
pelos vidros rachados
de tão cheio
com teus tantos naufrágios.

Temes o futuro maldizendo o passado
e suportas no presente um impasse.

Teus humilhados grãos de areia
já fogem dos cones da ampulheta
e se dispersam no vento,
invejando os oceanos
onde não navegarás.

No entanto, estes mares arrogantes
que te negam
até mesmo o sal
seriam charcos ordinários
quando comparados
às águas
de teus sonhos 
magistrais.
 

4 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Senti uma vontade grande de passar aqui e encontrei um poema belíssimo. Seus poemas batem tão forte dentro da leitora, são tão especiais, que qualquer adjetivo fica parecendo insuficiente.

João Renato disse...

Oi, Gerana,
Saudades de você e do Leitora Crítica. Ainda entro lá de vez em quando e releio postagens antigas, sempre com a esperança de que você volte a postar.
Abraço,
JR.

Anna Amorim disse...

Apreciei e muito a forma magistral que terminou este poema:

'...estes mares arrogantes
que te negam
até mesmo o sal
seriam charcos ordinários
quando comparados
às águas
de teus sonhos magistrais.'

Abraços,

Anna Amorim

João Renato disse...

Olá, Anna,
Pois ele ficou tanto tempo inacabado, precisando de um final que eu não encontrava, que eu quase o dispensei.
Abraço,
JR.