quinta-feira, 21 de março de 2013

Livres


O desfile dos anos ainda mais a incrimina,
embora seja inútil revisar agora culpas
já dueladas outrora, em vãs e exaustivas minúcias

Não restaram relíquias; nenhuma carta, presente, 
livro, disco ou retrato. (Nem um refrão de música.) 
Mudei de casa. 
Troquei de carro, telefone, mobília e perfume
Nunca mais soube notícia.

Nem respeito ou gratidão
a tão massacrada roupa de cama eu tive:
a velhice do valente lençol de listras 
é um trapo de pano decadente
enxugando o chão.

Mas ao vê-lo hoje, percebi o rastro 
de fumaça e cinzas
passeando
 livres 
no museu do insano
coração.

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