quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Infindo


Uma taça de vinho
vazia
jamais será um cristal triste a quem a sede satisfez;
assim como o amor, após o gozo, 
não agoniza findo entre os suores cansados 
e os líquidos de quem antes se batia 
na sinfonia dos gemidos;

eles prosseguem amor e vinho,
ecoando no cálice, nos hálitos, em fluídos
ou encardindo uma toalha, um lenço, um lençol...

E após lavados 
agarram-se 
à estante do pensamento e lá fortificam-se,
porque a vida vibra mais forte numa lembrança
do que no instante realmente acontecido,
quando se ocupava
em existir.


Nenhum comentário: