terça-feira, 11 de setembro de 2012

Adeus


Não chafurda na mácula
que teu coração resguarda
nem arquiteta a vitória 
que crês te cura e liberta.

A reparação que esperas
num sonho improvável
só faz ecoar tua mazela,
e fere-te ainda mais.

Todo evento desagua
em mares mais versáteis
que teus tolos princípios
de pudor ou justiça ideais.

Não governas os fatos
ou tens o dom da política,
mas tua recusa dominas
e comandas teu passo.

Então, aceita o desfecho
e parte. Arranca-te agora
desta pedreira de trevas
que inferna tua alma.

Salvar o amor que te resta
e sair em sereno silêncio
acabam sendo as viáveis
ventura, resposta e coragem.

Um comentário:

Gerana Damulakis disse...

Li os poemas que todavia não conhecia e sempre me encanto com a sua poesia. Deste último, é impactante, durante a leitura, a joia que segue:
"Então, aceita o desfecho
e parte."
Excelente!