quarta-feira, 25 de abril de 2012

À foz, o canal


Era o sal no coração e na pele,

e, lá fora, as gaivotas, o mar e o sol ...

era a maresia ventando no ar, 
entrando pela janela,
era a paisagem
à tarde, era o canal ...
Era o cabelo molhado dela, o corpo quente,
os lábios ativos e a boca ereta,

era ela regando sua oferta lasciva
em saliva, ternura e olhar submisso ...


Foi o desejo,
foi um presente,

foi o convite sincero
da língua esperta

sendo passarela ao secreto
leitoso num tempo novo,

mais solícito e líquido,

eterno...


3 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Meu dizia que a vida é cheia de fases; o importante é saber conviver com elas. Por que ao ler seu poema acabei associando com a frase? Porque já venho aqui faz algum tempo, seguindo seus poemas e apreciando seus versos. E, que bom!, esta fase é plena de desejo, amor, sal, sol etc. Eu fico sinceramente feliz.
Sei que poesia é a ficção do sentimento - não se preocupe, mas a minha avaliação transcende a teoria literária, pois conheço a arte deste autor.

Gerana Damulakis disse...

JR: agora que eu li o comentário que escrevi: falta o "pai" depois da palavra "meu". Bom, era meu pai quem dizia aquilo sobre as fases da vida.

João Renato disse...

Gerana,
Eu saquei que era o teu pai.
Quando alguém escreve "meu ... dizia" é sempre o pai. Quando é "minha ...dizia", é a mãe.
Aliás, te respondi pelo email.
JR.