terça-feira, 3 de abril de 2012

Agora


Antes, era o Desejo
que do meu corpo
o teu só olhar
já extraia.

Depois, no cotidiano fiz-me convicto
de que ambos, juntos, gigantes seríamos.

E te penetrar tem sido a emoção do novo;

certa novidade febril, cuja áurea de paz
e lírio, embora, por próxima, desde o início me confundisse,
por prescindir do significado, eu jamais o persegui.

Demorei anos.
Ontem te olhando
entendi: o novo e próximo que dentro em ti
encontro - e me confunde ainda –
é tua cria.

E este alguém, protegido como um feto,
sou eu,

mas despido de mim;
com a ternura e a fé
que antes de conhecer-te
não me sabia.

4 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Chego aqui e sempre fico fascinada com sua arte poética, sua maneira de dizer, seu talento.

João Renato disse...

Obrigado, Gerana.
É para pessoas como você que eu escrevo.
JR.

Anna Amorim disse...

Belíssimo!

Abraços,

João Renato disse...

Obrigado, Anna.
JR.