quarta-feira, 25 de abril de 2012

À foz, o canal


Era o sal no coração e na pele,

e, lá fora, as gaivotas, o mar e o sol ...

era a maresia ventando no ar, 
entrando pela janela,
era a paisagem
à tarde, era o canal ...
Era o cabelo molhado dela, o corpo quente,
os lábios ativos e a boca ereta,

era ela regando sua oferta lasciva
em saliva, ternura e olhar submisso ...


Foi o desejo,
foi um presente,

foi o convite sincero
da língua esperta

sendo passarela ao secreto
leitoso num tempo novo,

mais solícito e líquido,

eterno...


terça-feira, 3 de abril de 2012

Agora


Antes, era o Desejo
que do meu corpo
o teu só olhar
já extraia.

Depois, no cotidiano fiz-me convicto
de que ambos, juntos, gigantes seríamos.

E te penetrar tem sido a emoção do novo;

certa novidade febril, cuja áurea de paz
e lírio, embora, por próxima, desde o início me confundisse,
por prescindir do significado, eu jamais o persegui.

Demorei anos.
Ontem te olhando
entendi: o novo e próximo que dentro em ti
encontro - e me confunde ainda –
é tua cria.

E este alguém, protegido como um feto,
sou eu,

mas despido de mim;
com a ternura e a fé
que antes de conhecer-te
não me sabia.