quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Vivo
Em avenidas, ruas, bares
e casas do nosso convívio, ele não está
vivo mais.
E quando insisto e procuro
a voz e o olhar da amável figura
nos mesmos lugares
em que esteve comigo,
a paisagem se entorta
vazia do morto que agora há.
Porém, sei que vivo ele está
(mas não por credo absurdo).
E lá, vive junto à herdada ignorância
dos mecanismos do mundo,
camuflada sob a mesma masculina couraça
de estóica mudez,
cujo vulnerável tecido de sonho e orgulho
impede a saída de golpes, mas não a entrada.
No mesmo riso e mágoa desorientadas
de viajantes inadequados,
vivo ele está em mim e comigo
quando súbito o reconheço
numa reação ou gesto meu casual,
e me acrescento às pérolas do colar
que - mais além da visão egoísta
e parcial minha - descobre e reconstrói
a frágil pessoa humana:
própria, dele, integral; liberta agora da circunstância
de pai.
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3 comentários:
que poesia linda que encontrei aqui...
Obrigado, Adriana.
Volte sempre.
A pungência. Simplesmente assim: a pungência - sua marca.
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