Sentinelas
Quando as orquídeas da alegria
rompem as defesas do meu coração
triste,
gargalho a esbórnia de felicidade
que a inconsciência ou a ilusão
me propiciam.
Passado o riso, regresso a mim,
e dos jardins que cuido no peito,
o das flores pisadas acaba sendo
meu prolixo canteiro
de versos doridos como as frases
que, gravadas na lápide, no cemitério ficam,
e lá eternizam a agonia, o choro e o grito,
enquanto a viúva e o órfão
retornam à casa, à vida e a seus ofícios.
Assim também - sentinelas grafadas
que me liberam - são
meus poemas sombrios.
1 comentários:
Nossa, JR, está um poema incrível. A 1ª estrofe por si mesma é magistral. No todo, a pungência, a pungência...
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