segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Sentinelas

Quando as orquídeas da alegria
rompem as defesas do meu coração
triste,
gargalho a esbórnia de felicidade
que a inconsciência ou a ilusão
me propiciam.

Passado o riso, regresso a mim,

e dos jardins que cuido no peito,
o das flores pisadas acaba sendo
meu prolixo canteiro

de versos doridos como as frases
que, gravadas na lápide, no cemitério ficam,
e lá eternizam a agonia, o choro e o grito,
enquanto a viúva e o órfão
retornam à casa, à vida e a seus ofícios.

Assim também - sentinelas grafadas
que me liberam - são
meus poemas sombrios.

1 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Nossa, JR, está um poema incrível. A 1ª estrofe por si mesma é magistral. No todo, a pungência, a pungência...