Insônia
De que te serve um vício tão feroz
a consumir teu coração em cicatrizes,
sem compensar o dano da angústia atroz
com mínima sensação de euforia ou paz ?
É inútil que tua mais eficaz memória
raspe com canino afinco e esmero
os esqueletos sórdidos que por ódio
conservas no formol do desprezo.
Devido à fé no pudor a que te agarras
(e não mais por gana de vinganças),
trancastes todas portas do perdão,
só restando tu na jaula desta faina.
Então, a cada manhã, os mesmos ossários,
à noite descarnados, em dor se reencarnam,
sem que nenhuma chance de libertação
te conceda este labor estéril e amargo.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
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3 comentários:
Olha aí a cadência da qual andei falando no e-mail.
Parabéns, JR poeta!
Também acho que a cadência - o ritmo - importa mais que a métrica e até mesmo a rima.
A sua fala domingo, na Bienal, além da qualidade, será também bastante afetiva.
Abraço,
JR.
O encontro com Cristovão Tezza na Bienal foi maravilhoso. Minha fala teve o prejuízo que eu mesma crio, na medida em que certas vezes fico meio nervosa.
Vc recebeu meu e-mail?
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