sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Espumas

Recordo as duras palavras
ditas,
que na espuma da raiva
escondiam as súplicas
da minha alma ávida
de relevar e aceitar
tuas mentiras tácitas.

Pois ainda agora, numa onda absurda
que do inferno ressurge
como relíquia feroz e perversa,
os motivos me ecoam,

e soturnos magoam e ainda ferem,
repetindo dores inúteis
para um enredo
tão velho.

Ah, infinitas espumas da ressaca
que na areia da praia
evaporam sem rastro ou vestígios,

eu invejo tuas águas.


5 comentários:

J.G. disse...

Continuo a gostar muito dos seus poemas.
Abraço

João Renato disse...

Obrigado, Júlia.
É para pessoas como você que eu escrevo.
Abraços.
JR.

K. disse...

Tão lindo!

teus poemas criam "imagens vivas dentro de mim".

beijo.

Gerana Damulakis disse...

Belíssimo final!

João Renato disse...

Gerana, você deixou saudade na blogosfera.