segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A borboleta


Em repouso na árvore,
é a grande pétala andrógina e antenada
que se destaca por beleza e excesso
da maquiagem.

E quando se desloca,
o aleatório do volteio circular quase a iguala
à colorida pluma que à deriva flutue
eólica,
sem gravidade.

Instável antiflecha,
sua leveza de tanajura
atada a finíssimas grandes asas
em arabescos no ar 
viaja;

mas com tão formosos
circunlóquios vai ornando
sua trajetória que a ninguém é dado
o prêmio de lhe adivinhar o alvo.

Porém, não por vontade própria;

é a frágil anatomia aliada
a sopro ínfimo de vento
que, unidos, dão ao seu passeio
o encanto admirável

da falta de objetividade
que o aparenta à Arte,

- cujo lirismo finda
num sarcófago de madeira
e vidro,
transpassado pelo científico alfinete 
do entomologista.

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