sábado, 30 de julho de 2011

Encontro com Rilke


– Tarde de verão –
teu crepúsculo inunda o mundo
lentamente como o leito escuro
de um rio imenso
que invade e afoga
a minha vida e o horizonte
na água da descrença.

No parque,
a estátua sonolenta de Rilke
desceu do pedestal e boceja escondida
entre as árvores
onde a última cigarra solitária
se cala,
também cansada de implorar
uma companhia.

Os pássaros acasalados retornam cantando ao ninho,
felizes da jornada conjugal no domingo de céu quente,

e eu me despeço das promessas
não cumpridas pelo sol
que se dissolvem nas sombras
e se perdem na solidão do mormaço,

sem que nenhum anjo afete o silêncio
no entorno do banco
onde sozinho

sou.

Nenhum comentário: