sexta-feira, 13 de maio de 2011

Testamento


Sim ! Não foi gloriosa a tua vida.
E mesmo se do desastre ela se acerca,
tua desgraça não tem o brilho
do último ato de uma Tragédia;
é só um desfecho arrastado e vulgar,
sem palmas, vaias ou lágrimas,
com o silêncio à altura dela.

Nunca foste uma pessoa forte,
pois tua falsa fleuma e valentia
eram máscaras da alma tímida,

que se corajosa parecia,
a suposta força era a armadura
de orgulho e teimosia
dos indefesos.

A madeira da tua pretensiosa caravela,
desde quando ainda árvore na floresta,
já naufragava impotente nos recifes do medo,
sem conhecer nem a porta do estaleiro,
quanto mais a vitória em tempestades e guerras
ou na conquista de outras terras.

Sonhaste grande. Mas tuas epopeias
não couberam no teu mísero tamanho.

Ao fim de tudo, teu monumento em mármore
será uma lápide reles, sem flores nem frases,
onde a poeira acumulada no ostracismo
bastará como epitáfio do desperdício
de tempo, esperança e sentimento,
que foi a vida de quem neste mundo
sonhou imenso, mas viveu miúdo.

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