domingo, 29 de maio de 2011

Cio

Úmida ainda, e vestida só no odor
de sabonete, ela diante do espelho
se penteia; ocupada, distraída,
toda ingênua e indefesa.

Vista assim, é pura e ascética
como soe aos ladrilhos e azulejos
de pisos e paredes do banheiro.
É a hora ideal para ser lambida.

Porém, não com a ereta língua,
mas só com as salivas suaves
e musicais do vocabulário,
pois para o sexo é indisponível,

porque é preciso certo tempo
depois que a mulher se banha,
para que os fluídos íntimos
retornem à pele e às entranhas,

devolvendo-lhe seu absinto,
sua química, seus feromonas,
o rastro feminino do cio
que humilha todos os aromas.

É quando já assim perfumada,
na essência do seu próprio cheiro,
que mais a mulher excita e atrai o beijo,
levantando o meu objetivo desejo.

2 comentários:

Gerana disse...

Entrei para me atualizar na leitura de seus poemas. Adorei especialmente "Após o amor II". Sempre um prazer enorme ser sua leitora.

João Renato disse...

Gerana, um enorme prazer também é para mim ter você como leitora.
Mas ele seria ainda maior se vocè reativasse o Leitora Crítica.
Ele faz falta na blogesfera.
JR.