terça-feira, 19 de abril de 2011

razão do poema

















exposta numa vitrine,
longe do seu ambiente líquido,
não bastam à concha marinha
a forma sinuosa de vulva 
e o brilho do nácar, a seduzir
em cores e mística.

além de beleza esculpida
em harmonia, a quem lhe encostar
o ouvido à boca sensual,
ela diz sua memória do mar,
guardada num recôndito 
labirinto.

sábado, 9 de abril de 2011

Após o amor II


Que é da ânsia que era minha
e meu corpo saciou
através de outro corpo
que também ardia ?
                                       Aonde ?

Aonde foram o egoísmo e o cio
- que há pouco nos uniam,
enquanto se batiam em luta
e busca dos gemidos
do outro - que de cada um nascia ?

Se luz e vida se mantém acesas
na mesinha de cabeceira,
onde está o ardor agora?

Feito em líquido foi-se embora
ou em silêncio reelabora?

domingo, 3 de abril de 2011

Tolice


É tolice
pensar que o poema prenda alguma Verdade,

ela é um camaleão arisco
saltando num penhasco entre abismos,
a mudar de cor
quando te aproximas.

Interrompe esta caçada estúpida,
pois nada além de fumaça
vais capturar na tua rede.

Tampouco tuas angústias são galinhas
cacarejando encurraladas num canto de paredes
à espera do teu verso,

pois toda frase que escreves
dissipa a tua certeza
em maiores dilemas ou piores infernos.