quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poemas

Não acredite em meus poemas.
A linguagem deles foi tão escovada
que a dor e a agonia brilham;
a fúria mais cruel e dura
até se torna justa,
e o amor que não sinto parece lindo.

Jamais me entrego ou digo a verdade.
Posso jurar tudo, mas minha palavra
é cínica. (Eu minto por uma rima.)
Sofismo entre armadilhas;
invento fugas, ciladas, falácias...
e depois retorno com capricho,
apagando as trilhas.

Nuvens.
Todos meus poemas são nuvens,
que ora escondem sol,
ora escondem chuva.

3 comentários:

Gerana disse...

Ars de primeira.Perfeita a estrofe que inicia: "Não acredite em meus poemas.
Neles, tão escovada foi a linguagem
que a paixão, a tristeza ou a fúria
mais cruéis até parecem limpas."

Lara Amaral disse...

O poeta é fingidor... o que difere das outras pessoas é que ele admite, mas o faz tão bonito que os outros leem para se enganar.

Beijo!

dade amorim disse...

Poeta pode mentir sem constrangimento. Faz parte da arte.
E que boa essa arte, João Renato, que a gente lê e relê pelo puro prazer da beleza que ela envolve.

Beijo.