terça-feira, 22 de junho de 2010

À criança que chora.


Chora, menino.
Solta teu berreiro livre e puro
enquanto és criança,
porque teu choro será outro
quando fores adulto.

Só chora assim quem tem ainda
revolta e esperança.
Mais tarde, aceitarás que a vida
é uma viagem amarga entre a maldade e a traição, 
e aprenderás a chorar por dentro, 
sem gastar ruído, lágrima 
nem sentimento.

É cedo para saberes um segredo:
perderás tua indignação
quando vítima da injustiça, 
perderás o credo em teu direito, 
e até a dor da perda vais perder

(e se o peito te doer em desespero,
teu grito ficará restrito
à batida abafada do coração).
Portanto, aproveita agora

e chora,

porque o tempo te dará aos olhos
a secura plena do deserto,
e na tua face em pedra
só o relevo das rugas será vivo,

como um mapa da tua humana trajetória.

6 comentários:

Patrícia Gonçalves disse...

Olá João, cheguei aqui pelo blog da Dade, ela sempre dá a dica dos melhores blogs!

Parabéns, seus poemas são intensos, vivos, linda poesia!

Vou te seguindo, quero ler mais!!!

beijo grande

Lara Amaral disse...

Muito me agradaram os seus versos. Vim pelo blog da Dade.

Abraços.

dade amorim disse...

João, acho que ainda não tinha te falado do Inscrições, onde postei teu poema sobre "Depois".

Quero que saiba o quanto gosto de seus poemas.

Um abraço.

Gerana Damulakis disse...

Excelente! O final:pungente.
Como sempre, JR.

Carol Timm disse...

Nossa João,

Que poema triste e lindo esse teu!!

Pensar que tantas vezes esses meninos somos nós...

Vou te segir sempre!!

Bjs,
Carol

João Renato disse...

Agradeço a visita e os comentários de Patrícia, Lara e Carol.
E agradeço à Dade pela postagem no seu blog, e à Gerana pela presença sempre amiga e certeira.
JR.