segunda-feira, 7 de junho de 2010

Após o gozo


Que não percamos – o após – em perguntas
que dão o escuro à cama e maculam
a quietude e a luz da lua,

nem repassemos antigos desastres
ou elevemos discursos
com graves e agudos
de elétricos pandeiros.

Se agora mesmo lá deixamos pernas,
perdemos braços e afogamos gritos 
em saliva e apego ...

se agora há pouco à luz do corpo
tamanha ânsia nos cedemos
que até nosso peito ofegante
em líquidos lá ficou ...

E se enfim aqui restamos nós após você tanta e tanto eu,
fique então por lá tudo que antes era anseio:

sejamos por instantes só amantes
com espíritos leves e cabelos desfeitos,
no silêncio sonolento deste afeto
permanente nos momentos
sem desejo.

4 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Especial a 4ª estrofe. É um ótimo poema. Vou dizer: vc faz poesia, faz mesmo. Tem livro publicado?

Gerana Damulakis disse...

Não posso dizer sobre a ficção, mas a poesia merece um livro.

dade amorim disse...

Descobri seu blog por causa da Gerana, que sempre faz as melhores descobertas antes da gente.
Muito boa mesmo sua poesia.

João Renato disse...

Olá, Dade,
Quando entro no seu carioquíssimo blog "Bandeirario", vejo que mesmo depois de 34 anos de São Paulo tem um pedaço meu que continua carioca.