domingo, 18 de abril de 2010

Deuses


Pouco tempo após a tribo abandonar o templo,
as árvores, plantas e ervas daninhas da floresta
foram cobrindo de vegetação os muros de pedra
e todo o relevo no entorno do santuário.

Então, pequeninos seres da mata, divinamente
invisíveis, letais, vingativos e silenciosos,
invadiram rastejando as câmaras vazias
e substituíram os antigos deuses
(que nem assim ficaram humildes).

2 comentários:

Gerana Damulakis disse...

"que nem por isso ficaram humildes": fechou de forma excelente.

Janaina Amado disse...

João Renato, este poema me relembrou, de uma forma tão boa e bela como eu não saberia fazer, meus próprios sentimentos e pensamentos ao visitar antigos santuários e seus deuses arrogantes. Muito bom o poema, muito bem resolvido.
Gostei bastante também de "Amor", de um capacidade de síntese incrível.