domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ouro


Embaralhado na rede de lembranças
e ramagens de família, espinho e melodia
que envolvem meu coração de filho,
nunca atingi sequer um verso à altura
do teu prazer, tua agonia e tua luta.

E tu, pelas dores e amores que passaste,
tinhas dentro a poesia em forma bruta.
Mas sendo inapto à fuga literária,
não convertias tristeza e alegria
em candelabros de palavras e metáforas.

Tentar o teu poema, pai, eu sempre tento,
mas me perco tropeçando em sentimento,
e nunca escrevo um verso que equivalha
às duas palavras, onze letras e um acento
que douram teu nome no mármore da lápide.