sábado, 30 de janeiro de 2010

Negra luz


Foi um pequeno lampejo... Um só instante
durou o raio de sol que atravessou
a copa da amendoeira 
cuja sombra protegia 
nossas mãos unidas.

Foi uma luz rápida... Só o bastante
para pintar na pele dela
o mesmo amarelo que o tempo revela
nas fotos de velhos álbuns de retratos
e na folhagem caída das árvores.

Foi um sinal, era um aviso...
Então, eu - que me despeço de sonhos e folhas
antes do outono por estúpida lucidez -
já me organizava para acomodar no corpo
a memória do sonho, a dor e a viuvez

daquele verão generoso de mar, amor,
sol e esperança.

Um comentário:

Gerana Damulakis disse...

A melodia muito presente ("a música antes de tudo", jamais esqueço a "art poétique" de Verlaine). Gostei bastante.