quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Miragem


Inutilmente, eu errei como sempre:
me entreguei todo. Mas por vício,
ainda me culpava a incompetência.

No final, por sobrevivência fui varrendo
meus anseios, seus gestos e promessas
para longe do futuro sorridente.

E voltei me catando os cacos dispersos
na cama, na mesa e na sala, mesmo não sabendo
quem resultaria eu após reacomodá-los.

Agora, espero que móveis e objetos
não tenham também retido restos
quentes da ausência dela pela casa,

porque em portas, paredes e janelas
resistem resíduos do rosto pensativo,
o fogo dos abraços e o eco das conversas

acatadas sempre com o mesmo sorriso,
jamais confirmado pelo olhar
(que ainda agora desafia o meu juízo, 
em silêncio).

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