sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Deus


Quando acalmou a chuva,
os bueiros da cidade absorveram 
a água empoçada nas ruas.

Mas os veículos enguiçados
e o entulho da enxurrada permaneciam
atravancando avenidas, sarjetas e calçadas.

O céu carregado de ódio olhava do alto
os desabrigados, o trânsito parado
e os estragos da tempestade.

As televisões esfregavam na tela
o espetáculo da tragédia
com a desgraça desgraçando os desgraçados.

As almas puras e os prejudicados
rogavam às divindades 
que o dilúvio implacável parasse.

Nuvens surdas e impassíveis confirmavam 
que o aguaceiro, os raios e as trovoadas 
seriam, naturalmente, bem piores mais tarde.

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