sexta-feira, 21 de março de 2008

Efêmero


Sim!
É o efêmero que tu rejeitas.
Queres cimentar o Absoluto,
prender o Tempo e Tudo,
acorrentar o duradouro
por desprezo ao passageiro.

Mas o que tu amas
que passageiro não seja ?
Na mulher ? É o gozo.
Do vinho ? É o gole.
No pássaro ? É o voo.

A fúria bela da onda que relembras
foi efêmera e logo findou na areia.
Mas sua crista ereta de espuma em festa
buscando o céu sobrevive em ti:  eterna .

Também a felicidade em certa amorosa tarde
já tão distante mas ainda agora beijando tua memória
foi real mais do que um instante?

Quando morto estiver teu corpo,
o esqueleto ficará duradouro,
mas o prazer veio da carne,
que será pó bem antes.

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