domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pós-contemporâneo

Mas quem sou eu agora?
Eu sou o aleatório.
Sou o que acreditou na verdade absoluta,
mas vendo desabarem todos obeliscos
fiquei novamente repleto de perguntas
e incrédulo à qualquer nova resposta.

Eu sou o que enxerga em tudo o desdouro
porque confiei nos ídolos com fé e força
mas fui traído por todos.
Eu sou o que rejeita outras certezas
porque após perder as velhas
não consigo lançar fora suas ruínas e destroços
para que novas se acomodem num espaço.

Eu sou o que extraviou sua hegemonia interior.
Eu sou quem vence o labirinto derrubando os muros.
Eu sou um pássaro que sai da revoada e reinventa o voo.
Eu sou o espelho quebrado para refletir um mundo em cacos.

Quem é o galo doido que acorda tarde
e canta anunciando a noite e a morte ?
Sou eu. 


Sou o desenraizado da terra
que retalhado, sem credo nem meta,
arranco a casca das conveniências
e toco fogo no mundo, iluminando as trevas.

Eu sou um poeta
e a ninguém engano.
Mas até quando?

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